sexta-feira, 13 de maio de 2016

Onirismo

Apresento-lhes o conto (cujo argumento tirei de uma de minhas postagens aqui feitas) que ficou em terceiro lugar no Concurso Literário da Semana de Letras da UFPR, nesse ano de 2016:

Ultimamente tenho sonhado com assiduidade, sonhos pontuais e anacrônicos. Desconheço a razão, nunca raciocinei sobre, afinal, ninguém no fim das contas sabe. Há inumeráveis palpites, sempre há, fascinados que somos pelo constante palpitar, por dentro e por fora. Voltei a sonhar com frequência nos últimos tempos, entre 2014 e 2015. Isso, quem sabe(?), ocorra por conta das sensações novas que venho experimentando ou pelos meus hábitos de leituras, significativamente intensificados num recente período de ócio. Ah, o ócio. Leio Os Irmãos Karamázov. Escrevo. Quando escolho um livro para ler busco algo com o qual eu não tenha tido nenhum contato prévio. Minha formação acadêmica é um obstáculo para tanto, de certa forma, já que, mesmo que algumas das obras propostas para estudo não tivessem sido lidas eu era submetido à análises que destrinchavam a narrativa em toda sua singularidade (quando me interessava, caso contrário... não me interessava, era apenas negócio). O presente livro é algo do qual nunca ouvi/li nada. A mim só era familiar seu título e sua autori(dade)a. A ignorância quanto ao conteúdo narrado é instigante. Havia expectativa, entretanto. Seria algo que me tornaria um ser humano melhor e não fui frustrado nisso. Quão bem eu me convenço das verdades que se apresentam a mim? Cria. Encontro-me na página 363 da obra, que conta, em seus dois volumes, com 987 laudas ao menos na edição em questão, que não vem ao causo

Na noite de ontem, antes do sono, aprofundei-me na obra, que discutia a relação do cristianismo com seu fazer histórico. Isso foi feito em certo monólogo de uma das personagens. Fui submetido, eu (escrevi "o leitor" e apaguei, sem academi[ci]smo aqui, falo da minha experiência com a obra, como se fosse contemplável de modo singular, não o faço? finjo [que sou meu próprio narrador]), a um turbilhão de argumentos que ora colocavam a imagem de Cristo em xeque, ora desconstruíam a imagem do papado medieval e da inquisição. Li sobre (a) maldade humana (e seu profundo alcance), sobre como crianças, em sua inocência absoluta, sofre(ra)m com abusos causados por vontades transtornadas. É uma narrativa a ser continuada, lamentada quando do seu fim. Muito ainda está incompreendido, o ente polissêmico é imprevisível e virulento, na obra e na vida. 

Após dezenas de páginas (...) e os habituais afazeres pré-sono encontro-me horizontalmente p(l)asm(ad)o.

Dá-se espaço. Toma-se fôlego. Não há diferenças para que se possa julgar. O espaço é tornado vago. O tempo dissolve o que sobrou da luz.



Sonho (verbal e substantivamente, ao mesmo tempo se nos permite). Eu, a profunda agonia de desconhecer absolutamente o que tal pronome de fato representa/significa/implica/demanda/fere, mais dois amigos e minha namorada <a.="" a="" acidentada="" adentr="" adentro.="" adiante="" agora="" ainda="" ajuda="" al="" alegremente="" altura="" am="" ambiente="" amigos.="" amos="" amplo="" anda="" andar="" antes="" ao="" ap="" aparentemente="" apenas="" apertadas="" apesar="" apresentar="" aproximadamente="" aproximarmos="" areia="" as="" assemelhava="" assuntos="" at="" baixa="" calmo="" caminho="" carro.="" carro="" cen="" cinco="" cio.="" com="" come="" como="" comunica="" conforme="" constante="" constantemente="" continuar.="" conversam="" conversamos="" correndo="" culminante="" curiosidade="" da="" das="" de="" desgovernada="" dificuldades="" dificultam="" dirigido="" disso="" diversos="" do="" dunas="" e="" eis="" elas="" em="" encontrar.="" enferrujadas="" ent="" entre="" era="" esclarecer="" escorrega="" escorregava="" escurece="" escuro="" esgoto="" est="" estabelecer="" estamos="" estar="" estreitar="" estreito="" eu="" existiam="" explor="" f="" ferro="" ficar="" foi="" forma="" fosse="" frente="" frio="" grades="" grandes="" gua="" h="" habitual="" haveria="" i="" idas="" ignorado="" imaginava="" imediatamente="" in="" inc="" indescrit="" inten="" isso="" j="" junto="" king="" lembrados="" ler="" li="" lo="" m="" maior="" mais="" mas="" me="" melhor="" mencionado="" meus="" mido="" mim="" modo="" molhadas.="" momento="" movem="" muda="" mudan="" muita="" muito="" mundo="" n="" na="" nas="" nel="" nem="" nico="" no="" nos="" nossa="" o.="" o="" olhava="" os="" ou="" paisagem="" para="" paramos="" parar="" parecido="" parte="" passageiros="" passagem="" pavor="" pedir="" pessoas="" pido="" plano="" poderia="" pondo="" por="" praia.="" praia="" presen="" presos.="" quando="" que="" querendo="" r="" rec="" riem.="" rimos="" rio="" ruma="" rumamos="" s="" sabia="" saem="" se="" seguindo="" segundo="" senti="" sentia="" sentimento="" sentir="" sobre="" sol="" sonho="" sou="" ssemos="" stephen="" subitamente="" superficial.="" surgiam="" surgido="" t="" temeroso="" tenebroso="" tentava="" ticas="" tirando="" todos.="" todos="" tornava="" tornou="" transforma="" tudo="" um="" uma="" vaga="" vale="" vamos="" vel="" voltar="" volume="" vou=""> Torre Negra, uma praia sem fim ao longo de toda a obra, mas aqui não era praia, a praia era o início, o túnel era meu tormento. Acordo, penso, quando percebo que não há mais volta, apesar de não ter passado por nenhum obstáculo que não pudesse ser re(con)tornado. Eu iria além da grade e me prenderia lá dentro caso não houvesse acord(ad)o.


                                                                                                                                Lorenzo Moya - Mujer Buho (2011)

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