sábado, 28 de agosto de 2010

Já não tem problema, não

...já não tem problema. Qualquer coisa eu me acabo num lugar qualquer, com gente qualquer e prazeres quaisquer. Só não dá mais pra querer demais, assim. Isso de querer é pra quem se apega pouco, ama de menos. Eu sou um cara qualquer que resolveu parar pra pensar. Agora me apóio na minha janela enquanto fumo esse cigarro e quero saber o que vai ser do amanhã. Mas não, já não tem problema, é tanta coisa que é fácil largar isso e partir pra outra, não me apego a nada mesmo. Por mais que queira de uma maneira impossível. Não dá, não fui criado pra isso. Tô aqui de passagem, pensando nesse monte de clichê nessa linguagem que não tem nada de literatura. Fico por aí, sozinho, esperando pra trazer alguma coisa de boa pra esse mundo que se arrasta. Só quero um "caminho, um motivo, um lugar", uma música que seja boa, uma pessoa atoa e um monte de conversa pra jogar fora e não deixar saudade. "Adeus você, hoje vou pro lado de lá, tô levando tudo de mim, que é pra não ter razão pra chorar". E quero uma música assim, que não fique disfarçando tristeza, querendo ser feliz. Quero palavras que lamentem, que saibam celebrar o que a vida tem de verdade e não queiram inventar mais complicações pra gente correr atrás. É, já não há mais problema mesmo, vou é me fechar no meu mundo e adotar mais algum vício que me mate devagar. Quem sabe procurar algum lugar pra exercitar minha humanidade, onde eu faça mais do que queira e pare de complicar isso tudo. Chega disso, já não tem problema. "Quem se atreve a me dizer", pra onde leva a vida? Não, não, não, pára com isso, senta aí, pega um copo e vamos falar da vida.

Um comentário:

Florencia disse...

Entendo.

Curioso eu ontem mesmo estive pensando em tudo isso de "de onde viemos e para onde vamos", o engraçado é que viemos parar aqui como qualquer bactéria, mas a sorte é da bactéria, que não pensa.
E nós como "sábios", inventamos um mundo de curiosidades, onde tudo "tem" que ter um sentido. Só estamos completando nosso ciclo. Reprodução, legado e morte.

Então, o homem se entristece perante a sua própria criação, que foi o "sentido".

Já não faz mais sentido.

Entende?

:)
Gostei do seu post.