sábado, 14 de agosto de 2010

Fotografia

Em um belo dia azul me deparei com uma velha fotografia da infância, em um álbum daqueles que é esquecido no canto de um armário e só é tirado para ser mostrado à visitas quando não se tem mais nada a dizer. Uma velha e nostálgica fotografia de um ser humano frágil e ingênuo, que continha em si toda a felicidade do mundo. Era eu em uma bicicleta que já não habitava minhas memórias, um objeto que provavelmente foi passatempo de muitas tardes despreocupadas, em que nada era mais importante que alguns momentos de felicidade sem culpa.

Naquela foto eu tinha um sorriso sincero no rosto, olhos brilhantes e felizes como toda criança deve ter. Era um cenário verde com minha casa ao fundo e minha mãe sentada em uma cadeira me observando, como era sempre. Minha amada mãe. E meu querido pai registrando aquele momento, que para sempre vai ser um sinal do que fui e do sou destinado a ser.

Me impressiona o quanto uma simples imagem pode se transformar em nostalgia. Aquele sentimento que você não sabe se é bom ou ruim. Tem um pouco de alegria e outro tanto de tristeza. Alegria por ver que a vida se fez boa, ainda mais quando não continha vícios incontroláveis, sentimentos compulsivos e desejos irrealizáveis. Tristeza por ser um tempo que não volta mais, e por despertar em mim todas as qualidades que se foram. O tempo que passa cada vez mais depressa, escapando por entre meus dedos, zombando da minha incapacidade de obter controle. E não se trata de otimismo ou pessimismo. É apenas um realismo frio que torna a vida mais equilibrada. Pois poucas coisas são mais irritantes do que otimismo ou pessimismo exagerados. Ou não sair dos eternos clichês que fazem da vida essa melancolia.

Um comentário:

Florencia disse...

Meus neurônios remexeram-se e encontraram lá no fundo uma imagem semelhante, fui feliz. Vou continuar a ler. :)