quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O minuto que passa

A história sempre falou de virtudes; sempre prezou o final feliz e nunca quis saber a real intenção da verdade... nem saber se a verdade de fato existe; a história nunca permitiu que você pensasse, nunca quis que você largasse a droga que usou antes de se lamentar ao espelho... para a história, a história dos homens nunca fez sentido.

Bastava apenas que você olhasse adiante e visse um outro motivo, inovasse o seu vício, mas que nunca se apoiasse sobre o vazio. O vazio é perigoso e nunca se fez possível, milênios de transições, desenvolvimento, progressos, regressos... e o vazio continua a não ser aceito; a ser ignorado, mal visto, mal dito.

Da ausência de vazio veio a necessidade, da necessidade veio a dependência, da dependência veio a limitação de todas as sensações e possibilidades.

Somos limitados por um objeto, uma substância, um costume, uma crença, uma pessoa.



Falo por mim.

Não pretendo encaixar o leitor nas minhas ideias... de fato, gostaria de estimulá-los a criar suas próprias verdades, a serem profetas de suas próprias doutrinas,

Mas, quem é capaz?

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Desperto nas manhãs frias de Julho e cá estou fitando um rosto no espelho, uma face confusa; passadas pouco mais de duas décadas de existência física, me pergunto se deveria ter sonhado tanto,

A falta de sentido é gritante.

Janela afora, a neblina limita minha visão e estimula meu pensamento, de forma contraditoriamente interessante. Paro e sinto, respiro o ar congelante que insiste em se fazer presente, quase como uma criança que recebe atenção em demasia; fecho os olhos e busco em todos os cantos do meu ser, a vontade.

Vontade.

Tão impotente em sua ausência eu sou; busca qualquer resquício de sentido que tenha se perdido em mim. Pergunta-me,

Como se cria uma verdade?

A consciência inflama, o espírito dói. Uma, duas, três vezes vamos ao chão... aparente derrota não basta. Estar sozinho é desconfortável e a princípio olha-se com desdém essa falta de algo a que se prender. Silêncio, afinal, quem possui a resposta para tão delicado questionamento?

A ignorância não me convém, mas em minha condição, me prende.

Tal verdade é indecifrável, já não o é a mentira. Difícil mesmo é fazer a distinção tateando um lugar escuro, onde não podes confiar, onde o nada é presente e absoluto. Abre os olhos ou permaneça nessa existência inconsciente onde tudo, menos você mesmo, é capaz de reger o seu futuro.

Ainda falando por mim, vejo que cada vez que a consciência de ser o que somos vem à tona, um pouco de mim fica pra trás, se perde simplesmente. Não sei dizer se é a vontade que se esvai ou a incerteza e sua presença tirana que se faz presente; sei que um pouco de mim fica. Mas, quanto ainda resta para ser deixado, quão grandes são as marcas que o tempo não levou?

Me recompondo ergo os olhos, desconfiado abro a porta do quarto e saio a passos calculados. Vou à cozinha, me sinto estranho, mas já acostumado ao desconforto prazeroso que qualquer momento de exagerada reflexão provoca. Encho um copo d'água e bebo, me dirijo a porta, saio.

Engraçado é como o tempo já não se arrasta mais, como não me dou conta do tamanho da minha própria decepção; meu caminhar já raramente apressado, o atraso se tornou consequência de meu desprezo.
Só o que passa depressa são os lugares por onde vou, mas não tão depressa a ponto de deixarem de ser interessantes, todos eles, sem exceção; uma árvore, a rua estreita do lugar mais amplo que já pude ver, figuras engraçadas e coloridas. E os animais? Os animais são um motivo a mais, quando não humanos encantam pela sua aparente fragilidade, quando humanos, à distância são engraçados; ao interagir com eles também nos tornamos engraçados mas nem nos damos conta. Mas o mais incrível de tudo é o azul do céu, não por ser extremamente belo, mas por ser grande. Enormemente incompreensível, assim como tudo o que é desta proporção e não conseguimos entender de forma alguma; nessa incompreensão alguns de nós criam seres que prepotentemente nos igualam em algum sentido e nos fazem parecer ridículos em outros; Alguns indivíduos ousam desferir tamanha crueldade com todo esse azul que sempre está acima. Já outros - me encaixo aqui - preferem contemplar a tal imensidão e, antes de se perguntarem ou imporem qualquer conceito impensado sobre ela, apenas fazem de tudo para esvaziar a mente e sentir a enorme satisfação de dispor de cinco sentidos para apreciar, e apenas apreciar, essa magnificência que a existência nos permitiu presenciar antes que se acabe,




Me dirijo de volta ao meu lar. Aqui chego com a sensação de dever cumprido, deito-me e fecho os olhos contra a minha vontade, sem querer que isso acabe, cedendo ao meu corpo cansado e desobedecendo meu impulso que me implora para nunca parar, vontade de poder; vício incontrolável, compulsão pelo que antes era apenas ideia; e ainda dizem que Platão foi longe demais...


Sem entrar no cerne filosófico da questão é simplesmente isso que, na maioria das vezes, me ocorre.

Mas,

O céu nem sempre é tão azul,


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...e o fim nem sempre tão trágico.


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"A tarde talvez fosse azul,

não houvesse tantos desejos." - Drummond.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Sobre altruísmo e egoísmo



Falando de pessoas mentalmente e psicologicamente 'normais', todos nós sem dúvida já praticamos alguma ação - supostamente - altruísta. Aquele dia em que você ajudou o seu vizinho a levar aquelas sacolas de compras pesadas para dentro de casa, aquele momento em que você ajudou a velhinha à atravessar a rua, o dia em que preparou aquele café da manhã especial para sua querida mãe, um simples "bom dia"... entre outras tantas.

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Segundo o 'Wikicionário', a definição de altruísmo é:

al.tru.ís.mo masculino (plural: altruísmos)

  1. Amor desinteressado ao próximo, sem querer nada em troca, literalmente nada.
Quem de nós já parou para questionar o por quê de ser altruísta? E ainda: Será mesmo que não queremos nada em troca?

A resposta destas perguntas pode ser fácil para uns, difícil para outros, e cegamente certa para terceiros.

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Para o padre da Igreja que você freqüenta todo domingo (ou não), a resposta seria definitivamente ( ou, bovinamente - expressão por: 'Carta Capital', ed.512, pag. 22, excelente, haha!) fácil: "Para fazer o bem ao próximo, como ordenou nosso querido mestre Jesus, e irmos para o reino dos céus..."

Espere!

'sem querer nada em troca, literalmente nada.'?

Ficou confuso, não?

Almejando o reino dos céus, os adeptos do altruísmo cristão enganam a si próprios acreditando que fazem o bem ao próximo apenas para... fazer, sem se lembrarem que - mesmo que se torne inconsciente - a única coisa que desejam no fundo de seus corações de cordeiro é ir para o tão aclamado 'reino dos céus'. Para mostrar como tal pensamento é falho, descreverei minha 'teoria' baseando-me em outras teorias relacionadas à vontade e à necessidade de auto-satisfação da qual somos dotados - de quem influenciou pensadores atuais e, sem dúvida, continuará influenciando ao longo dos séculos.

- ID, Ego e Superego:

Segundo Sigmund Freud (1856 - 1939) - grande criador da psicanálise - o ser humano - o instinto humano, lado animal e o que nos 'mantém vivos' - nossa ID - trabalha junto com o ego - nosso lado mais superficial, a soma das emoções, o que decide quanto aceitaremos a realidade que está diante dos nossos olhos, o lado mais suscetível a enganações e negação de si mesmo - e o superego - trabalhado desde os primeiros anos de vida, é o lado em que se encontram as figuras reprimidas pela ID: raiva, desejos "imorais" (ênfase nas aspas) e et cetera. Sintetizando, o superego é o que age em sentido contrário ao ego. Então: Ego é o Eu superficial, ID é instinto, qualquer vontade ou emoção pura do ser, e Superego, onde ficam as emoções (ID) que o ego rejeita, nosso lado reprimido, normalmente por razões sociais.

A ID tende a ser sempre 'verdadeira', buscando o que vai ser mais satisfatório para o ser que constitui. O ego, suscetível a negar ou 'mascarar' os reais desejos da ID, buscando sempre o que lhe é mais cômodo em relação à sociedade, absorvendo os pensamentos que lhe são impostos durante seu período vital e os colocando em prática (no caso, fazendo inquestionáveis os valores supostamente altruístas). E o Superego, que funciona 'armazenando' os desejos que reprimimos para que possamos ser melhor moldados ao meio social em que vivemos.

- Espíritos Livres e Espíritos Cativos:

Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844 - 1900) classifica o ser humano em 'Espiritos Livres' e Espíritos Cativos' (Em Humano, Demasiado Humano de 1878) . Relacionando esta parte com a anterior, pode-se afirmar que os Espíritos Livres seriam aqueles que conseguiriam questionar seu Ego, não se mantendo no comodismo que é imposto a este desde os primeiros anos de sua existência física. Já os Espíritos Cativos, seriam aqueles que apenas aceitariam o que seu Ego lhes impõe, partindo do pressuposto inconsciente da elevação deste, da realização plena de suas vontades mais imediatas, deixando seu Superego apenas sobrecarregado, sem o equilíbrio necessário entre os 'três estados do ser' - ID, ego e superego.

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Como vemos, nosso corpo é equipado de 'programações' (graças à evolução) que fazem com que seja possível vivermos para nós e para os outros. E tudo isso visando, seja consciente ou inconscientemente, a auto-satisfação - imediata ou futura. É, pode bater o pé, chorar, rezar ou fazer macumba, não mudará os fatos, basta ler e questionar, talvez apenas uma séria reflexão seria suficiente para concluir que tudo o que fazemos - eu disse tudo - visa a auto-satisfação. Se não a satisfação no sentido lato (física e psíquica), o que ocorre é a diminuição de algum tipo de sofrimento. Tal fato que difere da satisfação em si apenas por uma questão de conceito - e ainda, se o sofrimento é propositalmente procurado, a realização da "vontade consciente de sofrer" traz satisfação para a mente. Seja imediata ou futura; espiritual ou física; consciente ou inconsciente; A satisfação é a eterna busca do instinto humano.

Tais 'programações', em conjunto com a linha de pensamento dos dois pensadores supracitados, nos permitem fazer a definição de três tipos de indivíduos:

  1. Não questionadoes; constantemente negam sua natureza e tentam impor um altruísmo irreal e utópico a si mesmos, o mais comum;
  2. Em segundo pode-se mencionar o indivíduo que não se cansa de afirmar sua natureza 'egoísta' e narcisista (não estando os dois cem por cento das vezes interligados; apenas citei o caso da patologia de narciso por ser algo que, em conjunto com o egoísmo, ocorre com frequência regular) e que, por vezes, prejudica-se socialmente, acabando com o princípio básico do 'egoísmo racional' (comentarei sobre tal termo adiante), e nesse ponto podemos citar o Ego em tal pessoa, que, ao contrário do que acontece com os indivíduos ditos 'normais', adota um princípio inverso de auto-satisfação, atingindo tal estado apenas quando adquire a sensação de estar em um nível de relação superior ao da pessoa alheia. E isso acontece seja por pensar ser independe de outro ser para se desenvolver, seja por certa imaturidade mental, ou apenas por não atingir nenhum nível imediato de satisfação com o bem-estar do outro - o que é perfeitamente normal em seres como nós; parte de nossa natureza... porém, algo relativamente dispensável... aceitável até chegar ao ponto em que ao invés de não trazer benefícios e/ou malefícios para o indivíduo em questão - o ser demasiadamente egoísta mencionado (o foco da ação) - ele o prejudique socialmente à longo prazo, e é aí que eu chamo determinada característica de 'egoísmo irracional'. Fascinante é o modo como podemos moldar tais características que há alguns milênios eram inerentes a nossa vontade, apenas ERAM.
  3. Por último, podemos definir o ser com o equilíbrio 'necessário'. O indivíduo que pensa, que analisa e que questiona, e - para relacionar com o foco da postagem - que almeja apenas o próprio bem-estar; que vê o que acontece de 'bom' para as pessoas que o cercam como consequência de atos inteligentes; que anseia por sua auto-satisfação baseando-se no princípio da livre-escolha, sempre respeitando os limites a ele impostos para a sua convivência, e o seu crescimento em sociedade - o que é necessário para nossa evolução. como espécie. Um espírito que esteja ciente de sua natureza plenamente egoísta, mas que saiba distinguir o 'egoísmo racional' - aquele que irá contribuir para o seu crescimento a curto e longo prazo sem prejudicar diretamente outro ser humano - do 'egoísmo irracional' - aquele que acaba prejudicando o próprio ser em questão e aqueles que estão ao seu redor, também a curto, e a longo prazo trazendo satisfação purmente imediata e passageira; e outras vezes ainda, danosa. Alguém que saiba equilibrar sua natureza instintiva, e inerente à nós - no caso, o fato de sermos totalmente ligados à nossa vontade inconsciente de auto-satisfação e auto-preservação - e nossa intelectualidade e capacidade mental adquirida ao longo de milênios de evolução para ter a ciência de que não somos capazes de crescer e evoluir sozinhos, de atingirmos a possível harmonia com tudo ao nosso redor apenas gerenciando nosso próprio 'mundinho' de modo adequado, sem ser necessário 'pisar' diretamente em alguém - como eu disse: "diretamente"; visto que estamos constantemente deixando ou sendo deixados para trás por outros que , naturalmente, anseiam o crescimento.
Aqui seria interessante inserir uma citação do grande economista Adam Smith (1723 - 1790, grande ícone do liberalismo econômico) que ilustra perfeitamente o caso citado de 'egoísmo racional' (encontrada em sua obra Uma investigação sobre a natureza e a causa da riqueza das nações de 1776) :

"Assim, o mercador ou comerciante, movido apenas pelo seu próprio interesse egoísta (self-interest), é levado por uma mão invisível a promover algo que nunca fez parte do interesse dele: o bem-estar da sociedade."

Ou seja, alguém que tem conhecimento de que a sociedade nunca será movida por um sentimento social de modo utopicamente harmonioso como, por exemplo, o proposto por Karl Marx (1818 - 1883) - citando o controverso Socialismo Marxista - mas que partindo da vontade de crescimento e auto-satisfação de cada indivíduo intelectualmente desenvolvido, tudo funciona em harmonia e cresce conjuntamente, sem pensamentos cegos, hipócritas e utópicos - com exceções causadas por desequilibrio entre seres com interesses diversos e conflituosos.



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Ao fazer o bem aparentemente altruísta à alguém próximo, ou apenas ao não fazer o mal, você irá se sentir bem, seja por pensamentos sociais previamente inseridos em uma cultura, ou apenas por evitar punições sociais, você irá se sentir bem... mesmo que não seja bem no sentido 'liberação geral de hormônios' da palavra, tendo uma variável na intensidade do 'sentir-se bem'.

Por que nós, pessoas sem patologias mentais "aparentes" (ênfase nas aspas, novamente), não fazemos mal para aqueles que nos cercam e nos dão carinho, amor e benefícios materiais e psíquicos? Apenas porque nos sentimos bem ao vê-los bem... fazemos doações à uma instituição como caridade porque nos sentimos satisfeitos como o bem-estar alheio, a partir do momento em que não nos sentirmos mais bem com o crescimento em conjunto de um todo, o suposto 'altruísmo', afirmado como sendo algo que não exige NADA em troca, irá se tornar extinto. Nem todos estão acostumados com uma visão tão realista do assunto, para alguns pode até soar ignorante e sem sentido, mas na verdade, SEMPRE, foi assim, apenas não tinhamos consciência disso em um tempo onde éramos mal direcionados pelo fanático sentimento religioso, em que tal bem era aplicado apenas como consequência do dom recebido de um 'deus todo-poderoso' para retornar até ele. Ou seja, não tinhamos capacidade para raciocinar até a conclusão a que chegamos nesta postagem e tudo que não tinha explicação, era deus. Fácil não? Fácil, ignoarante e irracional.

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Não podemos dizer - ou melhor, podemos dizer tudo, apenas algumas vezes podemos estar equivocados, sacou? haha - que existe o egoísmo ou o altruísmo como concebidos amplamente na sociedade atual. A medida ideal nestes termos para os acontecimentos que vivenciamos na atualidade seria algo sem dúvida relativo...

Não poderia ser chamado altruísmo o ato de 'Amor desinteressado ao próximo, sem querer nada em troca, literalmente nada', levando em conta, que - nunca fazemos algo que não nos dê auto-satisfação.

O conceito de egoísmo estaria bem coerente com o apresentado pela realidade: 'hábito ou a atitude de uma pessoa colocar seus interesses, opiniões, desejos, necessidades em primeiro lugar, em detrimento (ou não) do ambiente e das demais pessoas com que se relaciona. (Fonte: Wikipedia) É exatamente isso que acontece, sempre colocamos nossos interesses em primeiro lugar, e aí que pode ocorrer uma divisória entre o 'egoísmo racional' e o 'egoísmo irracional' já comentados... tudo se resume no anseio de auto-satisfação, levando em conta que o primeiro beneficia, consciente ou inconscientemente a todos os atingidos pela ação do indíviduo que irá proferir o egoísmo mencionado, e o segundo sendo o que prejudica a ambos ou a apenas um dos indivíduos que estariam em questão quando não sujeitos à tal necessidade.


Enfim, somos todos um bando de egoístas que colocamos tal conceito no fundo de um poço e nunca paramos para o questionar. E isso acontece com a maioria das coisas que passamos a ver como costume de uma cultura. Costumes e tradições devem sim ser questionados e severamente avaliados para que não caiam em contradições e inverdades.


That's all folks. (:

In Scepticismus Veritas.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

À razão!


É engraçado como as coisas acontecem na vida. Elas simplesmente chegam naquela hora em que você está mais desprevenido para recebê-las, tanto as coisas boas, quanto as ruins. Não por alguma força ou necessidade de acontecer, mas pela estranha coincidência que leva os fatos a se encaixarem com harmonia perfeita, o que nem sempre é condizente com nossas esperanças e buscas, não posso dizer se feliz ou infelizmente... penso que felizmente, afinal, que graça teria se conseguíssemos olhar adiante e ver todas as respostas e o que nos espera no tempo que está por vir?

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Me espanto com a capacidade que o ser humano tem de ser arrogante. Tão absurdamente arrogante a ponto de um dia ter pensado que a terra - ou seus umbigos - eram o centro de todo o universo, achando que tudo tinha sido criado para lhe servir, que todos os problemas tinham uma solução, que todos os acontecimentos tinham explicação. Dentro desse contexto de pensamento primitivo, surgiram os seres superiores, a explicação precipitada para todas as coisas: os deuses. Omniscientes, omnipresentes, omnipotentes, e tantos foram - e são - os deuses, que se for feita uma contagem precisa, talvez, poderia ser possível que cada homem no planeta andasse com seu deus particular por aí e toda sua omnipotência, imagine só?

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A seguir, discorro sobre deuses e os comparo com o mundo moderno e suas celebridades e homens da política. Uma sátira para descontrair;

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Ah se eu pudesse visitar o cemitério dos deuses, a morada 'eterna' daqueles que, um dia, governaram esse mundo. Deixar flores e lamentos ao túmulo de Odin, de Thor, de Vênus, de Zeus!
Isso para citar os mais "famosos", os que circulavam pelo mundo "pop", e que hoje seus fantasmas ainda o fazem. Mas, o termo 'deus' foi, covardemente substituído por 'mito', isso quando não é de 'deus' para 'demônio' - como o anjo portador da luz, ou outras séries de exemplos que subitamente viraram seres da pior índole - talvez a fama tenha lhes subido à cabeça? Levando em conta que vemos muito disso no mundo de hoje, pop-stars que perdem o controle da própria vida, por que seria diferente com tais seres? Por habitarem os céus, me pergunto. Provável que não, talvez a mais covarde das propagandas políticas, em tempos de eleições 'divinas'? Onde o vencedor covardemente difama o seu adversário - penso que essa seria a teoria mais aceitável dentre estas - Um ser obcecado pelo poder, que de tudo faz para destronar seu adversário, até criar mares de fogo e trevas e lá prendê-lo para que não apresente ameaça pública, nem arremate mais indivíduos para seus métodos políticos sanguinários (como diria a oposição). De qualquer jeito, independente do método escolhido para a mudança da 'diretoria', os deuses morrem.

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Morrem. A onipotência, a onipresença e a onisciência morre, independente de contexto, da força, do carisma, ou de qualquer que seja o 'fator conquista' do 'deus da vez'... quanto mais o pensamento evoluir, mais o ser humano irá votar nulo para a existência de deuses, que são por vezes corruptos, por vezes tão carentes quanto mais carente dos seres... inconseqüentes, sangüinários e prepotentes; e quanta prepotência haveria em um deus que desbancou os outros todos, e ficou com o poder só para ele? Que exemplo de moral podemos tirar disso? como podemos ensinar nossas crianças a serem gentis e praticarem o bem, se influenciados por alguém de tão baixo calão? Alguém que não cumpre promessas, e exige sacrifícios infindáveis, exige que arranquemos as vidas de animais indefesos em prol de seu louco fetiche pelo cheiro de sangue e carne queimada... dentre outros.

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Parando de falar em carne queimada e fetiches sexuais imorais, a diretoria atual sem dúvida contou com a ajuda de assessores ambiciosos e corruptos, tais indivíduos que na sua loucura animal ousaram dizer que queimariam quem deles duvidasse e seu candidato não elegesse; covardia desmedida, indubitavelmente estratégia suja e digna de ladrões do pior nível. Tal visão que se reflete nos dias de hoje, onde no mundo abaixo da diretoria os candidatos ainda são eleitos pela força, pela inconsequência e sem o devido questionamento, nos fazendo sofrer os atos de alguém incompetente, e com a onipotência de nos causar desgraças, tomar nosso dinheiro, ou até virar para o lado e fingir não ver nada do que acontece.

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Um mandato que já dura mais de dois mil anos... um tempo sem dúvida considerável na vida de mortais - como eu e você - que residem sobre a superfície da terra. Dois mil anos de mandato e entre estes, mil, ou pouco mais, de uma ditadura que parou o tempo; que anulou o princípio básico que nos permite crescer, anulou a natureza do ser humano, anulou a razão! Quando a razão é anulada, só o que permanece é o instinto cego, ou a necessidade de uma imaginação puramenteo ilusória... necessidade insana de completar lacunas de uma existência vazia. Nos tornamos fracos, paramos de enxergar, esquecemos do equilíbrio e cessamos de questionar - o maior crime que poderíamos cometer contra nós mesmos - como já diai o grande filósofo Francis Bacon. Tudo isso incitado por um deus, que jaz morto há muitos séculos em sua tumba eterna, e que em paz não descansa pois seus súditos, seus 'assessores' particulares, foram cegados pela onisciência e onipotência de seu 'mestre'. Passaram a dominar, tinham as mentes de homens ignorantes nas mãos, e disso fizeram uso. Aterrorizando a humanidade com promessas mentirosas e ameaças às chamas eternas (lembram daquele lugar que eu citei, um buraco... talvez pra onde os deuses empurravam a sujeira, aquele lugarzinho embaixo do tapete, ou aquele quartinho em seus lares celestiais onde a oposição permanecia devidamente sedada e amarrada, mas nunca esquecida). Queimavam aqueles em que se reacendia a chama da razão - oferecendo perigo para os 'tiranos' dominadores - em reais fogueiras (fato que qualquer indivíduo que tenha frequentado aulas de história sabe), onde os carrascos, se utilizando de um suposto poder divino, e de uma suposta salvação eterna, obtida pela absolvição através do fogo covarde das fogueiras medievais, se apoiavam em argumentos vazios.

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Porém, o ser humano conseguiu atingir um nível altíssimo de intelecto - talvez não tão alto assim, mas eu SOU, e esse fato por si só faz com que tais afirmações arrogantes sejam inerentes à mim, é instintivo... enfim -, a cada dia mais está conseguindo se governar por si só, e cada vez mais sendo responsável pelos seus atos, e pelo rumo que sua vida toma, graças ao desenvolvimento da razão, a necessidade de sabermos a verdade, a necessidade de pesquisar, descobrir, explorar, que talvez não seja regida por algum sentido maior - e nem precise, dado que tal conceito foi inserido na humanidade juntos com os valores de todos os deuses que já estão devidamente em seus lugares - cada vez mais crescemos, descobrimos cura para doenças, realizamos "milagres" (ênfase nas aspas) científicos, e tudo isso pelo poder do homem, pelas nossas mãos, pelas nossas mentes. Sem dúvida ainda vivem milhares de deuses, e a maioria deles provavelmente está na religião Hindu (para citar um exemplo), com suas centenas de criaturas onipotentes, onipresentes e oniscientes, que está condenada à merecida derrota para a razão, que, já tarde, vem através dos tempos, ressurgindo milagrosamente no renascimento, iluminando mentes e lançando mão do questionamento.

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E o sentido? O sentido disso tudo é o que você dá a ele, e é aí que percebemos o nível evolutivo a que chegamos, conseguimos maravilhosamente dar um sentido, não único - para não ser demasiado prepotente - mas individual e exclusivo. Ir além do especismo e da perpetuação. À razão, como já dizia F. W. Nietzsche, grande pensador: "À razão!"

In Scepticismus Veritas.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Memórias, desordens, progressos

A primeira postagem de um novo Blog, deveria ser uma postagem significativa, ou só um tentativa de se fazer presente em meio a tantos blogs? Bom, para mim, Douglas William Machado - 19 anos, estudante de Letras, amante da música, explorador do saber - seria apenas uma tentativa de organizar algumas das idéias que jazem na minha mente, todas um tanto desordenadas, mas todas em constante desnvolvimento, e resolvi compartilhá-las em um blog na rede, por que não?



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Sempre fui um cara insatisfeito, em todas as fases da minha vida, fui um cara que não aceitava (mesmo quando tentava) preceitos previamente estabelecidos a mim. Ah sim! Você pode pensar: "Mais um moleque querendo cuspir suas revoltas em um blog sem sentido..." Mas não, apesar da não aceitação, sempre fui alguém que conviveu muito bem com isso, alguém que sempre questionou, talvez há alguns anos nem tanto, mas aos poucos fui inserindo isso na minha vida, e abrindo meus olhos. Nunca quis mudar o mundo, mesmo vendo o quão horrível era a realidade que espreitava ao meu redor, sempre procurei mudar apenas o meu mundo, sempre vi isso como o mais importante... mudar, crescer, desenvolver e nunca parar. O mundo não é estático, o mundo vibra constantemente, nós vibramos, como a música, como as ondas músicais, que se bem harmonizadas criam as mais maravilhosas sensações... e assim é nossa vida, se vibramos demais, criamos obstáculos em excesso, barreiras dispensáveis, se não vibramos e entramos na zona de conforto... podemos estar esquecendo de viver. E é aí que entra o equilíbrio, essa arte, essa forma tão 'difícil' de viver, que não permite que você entre na estaticidade, nem que viva inconsequentemente. Essa arte, que evita as doutrinas, que tem repulsa pelos 'ismos', que não permite que você adote tradições, ou que você se encaixe em ensinamentos sem perguntar o por quê disso tudo? Por que eu aceitaria dogmas, por que eu me sacrificaria por um 'amigo imaginário', por que eu amaria menos ou me sentiria culpado por algo que não causei diretamente...?

Equilíbrio... soa tão bem... buscar a verdade através do equilíbrio, buscar o equilíbrio através do questionamento, consegue perceber a harmonia?

Enfim, colocarei aqui todas as minhas confusões mentais, minhas teorias - sérias e mirabolantes -, fatos do dia-a-dia relevantes o suficiente para serem discutidos, problemas, soluções, bizarrices, etc. Estou empre aberto a sugestõs e críticas, todas fundamentadas por indivíduos que conseguem pensar e transferir estes pensamentos para um papel, ou para um blog no caso.

Abraços aos visitantes. (:

In Scepticismus Veritas.